Trinta artistas em Vimioso dão expressão às raízes e à identidade do território
A Casa da Cultura de Vimioso acolhe, desde 17 de outubro, uma exposição que reúne 30 artistas no âmbito da Bienal de Arte Contemporânea das Terras de Trás-os-Montes - Linha da Terra. Com curadoria de Felícia de Sousa, a mostra cruza pintura, escultura e instalação em torno da paisagem, da memória e da relação entre as pessoas e os lugares que habitam.
Na inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos, valorizou a exposição como uma forma de reconhecer o território e as pessoas que lhe dão vida e identidade. Sublinhou a ligação da Linha da Terra às raízes locais, às tradições e aos saberes de quem permanece e continua a construir a história destes lugares. Através da criação artística, essa herança ganha novas formas de expressão e pode ser transmitida e partilhada com outros públicos.
Nesta perspectiva, Vimioso participa na exposição através das suas próprias vivências: das memórias das comunidades, da cultura popular e de uma paisagem que marca a forma de ser e de viver. A arte dá expressão a essa ligação à terra e permite reconhecer, nas obras, elementos de uma identidade que continua a ser construída pelas suas gentes.
O primeiro secretário da CIM-TTM, Rui Caseiro, destacou a dimensão intermunicipal da Bienal e o contributo da arte para aproximar os municípios e reforçar a coesão territorial. Salientou também a oportunidade de dar maior visibilidade aos espaços culturais e de atrair visitantes, associando a descoberta das exposições ao conhecimento da região.
A diretora artística, Inês Falcão, reforçou a importância de alargar o acesso à arte contemporânea e de envolver as comunidades, incluindo os mais jovens, através de oficinas e atividades com as escolas.
Diferentes olhares sobre a terra e a memória
A exposição propõe um encontro entre linguagens e percursos artísticos distintos, unidos pela reflexão sobre o território. As obras exploram as marcas do tempo, as formas de habitar e as memórias coletivas, convidando o público a descobrir novas relações entre a criação contemporânea e a experiência dos lugares.
Sob o olhar curatorial de Felícia de Sousa, as comunidades assumem um lugar central nesta leitura. As tradições, os rituais e os saberes transmitidos entre gerações tornam-se matéria de criação, num diálogo que aproxima a identidade local de outras experiências e sensibilidades.
Promovida pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, em articulação com os nove municípios, a Bienal liga o território através de uma programação comum, afirmando a cultura como instrumento de descentralização, cooperação e valorização territorial.
A exposição de Vimioso pode ser visitada na Casa da Cultura até 31 de dezembro de 2026.