Bienal Linha da Terra cruza gerações e linguagens artísticas em Mogadouro
Duas exposições, diferentes gerações de artistas e múltiplas formas de trabalhar a memória, a matéria e a identidade marcam a passagem da Bienal de Arte Contemporânea das Terras de Trás-os-Montes — Linha da Terra por Mogadouro. Inauguradas a 10 de outubro, as mostras podem ser visitadas até 31 de dezembro no Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco e na Casa das Artes e Ofícios António Moraes Machado.
No Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco, a exposição da Bienal, com curadoria de Ana Barroco, reúne obras de Alexandra Prieto, Vítor Gouvinhas, Ana Barroco, Patrícia Furtado e Pedro César Teles. A proposta estabelece um diálogo com o legado do escultor que dá nome ao espaço, reforçado pelas ligações pessoais e artísticas que alguns dos participantes mantêm com Manuel Barroco.
Na Casa das Artes e Ofícios António Moraes Machado, "Habitar o Espaço", com curadoria de Jaime Silva, reúne pintura, desenho, gravura, fotografia, tapeçaria e instalação, assumindo-se como um lugar de encontro entre diferentes matérias e sensibilidades, onde a memória e a experiência individual ganham novas formas.
A tapeçaria de Altina Mar, a fotografia de Carlota Mantero e o trabalho em metal de Ana Lima-Netto dão conta dessa diversidade. As questões da identidade e da pertença atravessam também as obras de Vera Fonseka, enquanto Maria Savchenko recupera uma tradição têxtil ucraniana numa instalação marcada pela experiência da guerra. Participam ainda Ana Leonor Madeira Rodrigues, Beatriz Narciso, Célia Bragança, Cristina de Brée, Fernando Tenreiro, Isabel Sabino, Mónica Mindelis e Saskia Moro.
A abertura das exposições contou com o presidente da CIM Terras de Trás-os-Montes, Pedro Lima, e o presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, António Pimentel. A programação comum aos nove municípios foi uma das ideias centrais da sessão, pela possibilidade de aproximar os concelhos e dar maior dimensão à oferta cultural da região.
Para Pedro Lima, esta cooperação contribui para a coesão territorial e reforça o papel da cultura na atração de visitantes, criando novos motivos para conhecer e percorrer as Terras de Trás-os-Montes. Em Mogadouro, a participação na rede intermunicipal traduz-se também na valorização dos equipamentos culturais do concelho, uma oportunidade que António Pimentel associou à diversificação da programação e à conquista de novos públicos.
Promovida pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, em articulação com os nove municípios, a Bienal Linha da Terra tem direção artística de Inês Falcão e propõe um percurso pela criação contemporânea em diferentes espaços culturais da região, reunimdo mais de 160 artistas.