Artista de quatro países encontra-se na Bienal em Mirandela
Artistas de Portugal, Espanha, Estónia e Chéquia encontram-se na Estação das Artes, em Mirandela, numa exposição que cruza a memória ferroviária do edifício com diferentes formas de olhar o território. Inaugurada a 9 de outubro, "A linha é uma passagem – para outra margem" integra a Bienal de Arte Contemporânea Terras de Trás-os-Montes - Linha da Terra, que liga os nove concelhos através de uma programação comum.
Com curadoria de Carlos Costa e Jacinta Costa, a mostra ocupa o segundo piso do edifício, onde outrora viviam os funcionários da linha. Os antigos quartos, salas e cozinha dão agora lugar a propostas artísticas com linguagens e materiais distintos, num percurso que explora as ideias de passagem, deslocação e pertença.
Entre os artistas representados encontram-se Gil Teixeira Lopes e Nuno Teixeira Lopes, com obras provenientes do Museu Armindo Teixeira Lopes, Susana Piteira e Ana Pascoal. A dimensão internacional faz-se também através das propostas das estónias Anne Rudanovski e Merit Karise, da checa Jana Orlova e dos espanhóis Noémi Peña e Didier, num diálogo com os restantes participantes portugueses.
Esta ligação entre diferentes geografias prolonga-se na própria Bienal. "São nove municípios unidos", sublinhou o presidente da CIM Terras de Trás-os-Montes, Pedro Lima, na inauguração. Mais do que dar visibilidade à arte e à cultura que há muito existem na região, o projeto procura consolidar uma dinâmica cultural capaz de contribuir para a transformação e a coesão territorial.
As 14 exposições são também um convite a percorrer as Terras de Trás-os-Montes. Pedro Lima desafiou o público a conhecer os diferentes espaços e a descobrir, pelo caminho, a gastronomia e as paisagens que inspiram muitas das obras apresentadas.
A possibilidade de associar estas visitas a uma estadia no território foi igualmente destacada pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Orlando Pires. Uma família pode passar um fim de semana prolongado na região e encontrar, em diferentes concelhos, uma oferta cultural que enriquece a visita e contribui para a economia local. Para o autarca, a Bienal representa ainda uma oportunidade de valorização dos artistas da região e de afirmação de um trabalho conjunto entre os nove municípios.
Promovida pela CIM Terras de Trás-os-Montes, em articulação com os municípios, e com direção artística de Inês Falcão, a Bienal decorre entre outubro e dezembro, em 13 espaços expositivos e reune mais de 160 artistas. Em Mirandela, "A linha é uma passagem – para outra margem" está patente na Estação das Artes até 31 de dezembro de 2026, com entrada gratuita.